segunda-feira, 28 de julho de 2008

EUGÉNIE RIBEIRO EM "GENTE NOSSA" | SEMANÁRIO DE FELGUEIRAS

Eugénie Ribeiro
Idade: 21
Recém-licenciada em Economia

A Licenciatura em Economia era o grande objectivo académico da tua vida?
Desde de pequena que dizia que queria entrar na universidade. Primeiramente passou-me pela cabeça ser professora de matemática, mas logo que vi que essa área estava complicada. Então no 8ºano, uma professora minha começou-me a falar do curso de economia, das saídas que tinha… e então desde aí orientei-me para essa área. Hoje, posso dizer que não estou arrependida pois o curso foi do meu agrado, principalmente a parte macroeconómica.

Em que tipo de empresa gostarias de exercer a profissão para a qual estás habilitada?
Nos tempos que correm não podemos ser muito esquisitos, isto é, não nos podemos dar ao luxo de seleccionar muito. Como já referi, na questão anterior, a parte da macroeconomia fascina-me mais que a micro; estudos de mercado, análise de politicas económicas… são sem duvida aquilo que mais gosto de fazer mas tenho noção que é a área em que o nosso mercado menos “portas abre”, principalmente nesta zona. Mas com este curso tenho noções de varias áreas por isso e por achar que não é empresa em si que dita os conhecimentos a aplicar, mas sim o cargo a desempenhar; estou a disposição de qualquer tipo de empresa desde uma empresa de calçado até ao sector bancário.

Consideras, como frequentemente se diz, que a maioria dos jovens recém-licenciados, não têm motivos para terem esperanças no futuro porque o “fantasma” do desemprego paira no ar, ou por outro lado, devem acreditar que melhores dias virão?
Pode parecer controverso, mas concordo com os dois lados da questão. Isto porque, tenho noção que o mercado de trabalho já teve melhores dias para os recém-licenciados. Já lá vai o tempo em que o canudo abria muitas portas no mercado de trabalho; com a massificação do acesso ao ensino superior, o mercado de trabalho ficou, e ainda está, saturado. Senão vejamos, só na minha universidade este ano fomos a volta de 50 finalistas de economia, isso a multiplicar, pelas inúmeras universidades que leccionam este curso, dá sem dúvida um número muito maior do que o mercado precisa neste momento. Mas não quero com isto dizer que um curso superior não serve de nada, pois acho que as pessoas com maiores habilitações são mais capazes das que possuem poucas habilitações de arranjarem emprego. Isto é, as habilitações dotam-nos de características que nos ajudem na procura de emprego, somos capazes de nos adaptar mais rapidamente a uma situação nova, somos capazes de desempenhar mais do que uma tarefa (não sabemos fazer só aquilo)…
Eu acredito que apesar do fantasma do desemprego pairar no ar, melhores dias virão. Pois o mercado hoje está saturado mas amanhã pode já não estar, é que quem ocupa os lugares mais cedo ou mais tarde terá de sair (risos). Acredito que o difícil é encontrar alguém que nos dê o primeiro emprego, porque na minha área tenho visto muitos anúncios mas todos pedem entre 2 a 5 anos de experiência. Por isso acredito que depois de entrar no mercado de trabalho esse fantasma seja apenas uma fantasma do passado.

As competências adquiridas, habilitam o licenciado em Economia a organizar eficazmente o seu trabalho, a pôr em prática as técnicas adquiridas, a manifestar autonomia na resolução de problemas e a ter uma plena consciência da responsabilidade social do seu próprio trabalho e das empresas. Ser Economista, é, por isso, um desafio nos tempos actuais?
Ser economista, hoje em dia e no nosso mercado de trabalho é um desafio. Isto porque, a maioria das pessoas associam um economista a uma pessoa que faz contabilidade, ou como diria um professor meu “vocês são licenciados em economia mas o que querem é ser gestores”. Eu vejo o ser licenciado em economia (e não ser economista, pois não pertenço a Ordem) como algo mais abrangente, algo que nos dota de conhecimentos em várias áreas, desde recursos humanos ao comércio internacional passando pelo estudo do impacto das políticas económicas, daí podermos desempenhar inúmeras funções. Só acho que a universidade deveria nos dotar de capacidades mais práticas, isto é, nos preparasse mais para a realidade do mercado (exemplo em contabilidade, trabalhar mais com o programa informático, pois é aquilo que realmente se faz, em vez de fazermos tudo a mão)

Como analisas o estado económico do país? A crise de que se fala veio para ficar? Que soluções poderiam ser apontadas para minimizar o impacto da mesma?
Não é uma pergunta fácil. O estado económico do país já apresentou melhores dias, basta analisar alguns indicadores de conjuntura (PIB, IPC, indicadores de confiança…) mas não acredito que seja uma crise que veio para ficar. Alias em economia, nada vem para ficar, são ciclos económicos (ora de expansão ora de recessão). Sou da opinião que a crise que se faz sentir, não foi culpa nossa, mas sim da crise que se estabeleceu no mercado mundial (crise no sector financeiro dos EUA, consequente quebra do dólar, aumento do preço do petróleo…). Somos uma economia pequena, dificilmente conseguiríamos ficar imunes ao que se passa no mercado internacional. Soluções para minimizar… não é fácil mas do meu ponto de vista tentarmos aumentar nossas exportações (apostando em produtos de alto VA) e reduzir nossas importações; mas numa altura em que o dólar esta fraco é complicado vendermos nossos produtos. Uma forte dependência da nossa economia é a nível das energias, numa altura em que o petróleo está em alta acho que seria de bom grado virar-nos para as energias renováveis, apostar em transportes públicos movidos a GPL…

As medidas anunciadas pelo Governo, como o aumento do abono, a redução da taxa de IVA… , têm, de facto, efeitos práticos?
Se o objectivo do Governo era relançar a economia (através do aumento do consumo privado) com a descida de 1ponto percentual da taxa do IVA, no meu ponto de vista este não será alcançado. Alias, eu acho que esta não foi a melhor altura para se tomar tal decisão (mas este é um problema das políticas económicas, muitas vezes surtem efeitos desfasados no tempo), acho que esta atitude vai prejudicar as contas públicas (pois perdem-se uns bons milhões de euros de receitas) sem que o consumidor sinta alguma diferença e por isso aumente o consumo privado. Mas ainda é cedo para se tirarem conclusões.
Quanto ao aumento do abono, acho que têm efeitos práticos uma vez que se trata de uma ajuda directa.


PERFIL

Que talento pagavas para ter? Dançar
Beleza é fundamental? Para 1º impressão talvez se olhe muito ao físico, mas com o tempo a personalidade torna-se muito mais importante.
O que não dispensas na tua vida? Estar perto dos que gosto.
Em que situações mentes? Quando não me resta outra solução
Quando foi a última vez que rezaste? Já lá vai muito tempo
Tens algum amuleto? Porquê? Não
Qual foi o momento mais marcante da tua vida? Quando perdi meu pai
Qual é o teu maior vício? As sms a borla
Qual é a tua melhor qualidade e o pior defeito? Qualidade: organizada; defeito: ser emotiva
Qual a compra mais cara que fizeste? Um portátil
Qual é a tua bebida favorita? Sumo de laranja natural.
Na praia, o que é que mais te agrada e incomoda? O que me agrada é estar perto do mar; o que me incomoda é o vento levantar a areia.
Qual é a primeira coisa em que pensas quando acordas de manhã? Já está na hora?!
Que dirias à presidente da Câmara de Felgueiras? Perguntar-lhe porquê que se tem feito tão pouco pela juventude no concelho
E ao primeiro-ministro? Perguntar-lhe como pretende dar resposta no mercado do trabalho à massificação do acesso ao ensino superior
Como vês Felgueiras daqui a 10 anos? Acho que estará tudo igual, mais uma ou outra obra desnecessário, mas as questões essenciais (como o saneamento) continuarão longe de estar resolvidas

Semanário de Felgueiras

Sem comentários: