
Esta representação, segundo fonte da organização, envolve um número muito elevado de intérpretes, principalmente adolescentes e jovens afectos às referidas paróquias.
Não vamos recuar aos antecedentes, escusado que será rememorar o que decorreu nos tempos em que os enterramentos eram feitos no interior e nos adros da igrejas, em todas as freguesias, até que foram sendo feitos os chamados campos santos, que no caso de Rande foi em 1885 que foi concluído o cemitério paroquial – conforme registamos no livro que narra a história da região, o “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” (escrito durante vários anos e editado em 1997). Relembramos apenas, aqui, que nesse mesmo volume referimos o nome da primeira pessoa que foi sepultada no cemitério de Rande: «Rosa, da Longra – acaso conhecido por ser madrinha da avó materna do autor, a quem sua mãe contou tal curiosidade…» (conf. página 177, do referido livro). Podendo, agora, acrescentar-se mais dados relativos, descortinado que foi o respectivo registo no arquivo distrital, como prova de que a transmissão oral conta muito e a tradição vale mesmo.
Importará, para enquadramento, relembrar alguma ligação de certas famílias pioneiras e nomes sempre familiares, conforme descrevemos num conto colocado no livro “Elevação da Longra a Vila” (ed. 2003).
Ora, com essa retaguarda do passado, atente-se no que ficou anotado no inicial registo do livro de óbitos (contendo termo de abertura assinado pelo Vigário da Vara, desse tempo), que fixou o primeiro enterramento no cemitério paroquial de Rande, relatando o falecimento no dia anterior (com grafia da época): «Aos dezanove dias do mês de Agosto do anno de mil oito centos e oitenta e cinco, às oito horas da noite, no lugar da Longra desta freguezia de Sam Thiago de Rande, Concelho de Felgueiras, Dioceze do Porto, falleceu, tendo recebido os sacramentos da Santa Madre Egreja, um indeviduo do sexo femenino por nome Roza Moreira de Sampaio, da idade de trinta e três annos, solteira, fiadeira, natural desta freguezia, filha legitima de António Cardoso de Sampaio, recobeiro, (…), e de Mattilde Moreira de Amorim, lavradeira, (…), a qual foi sepultada no Cemiterio desta freguezia. E para constar lavrei em duplicado este assento, que assigno. Era ut supra. O Parocho, (P.e) António Dias Peixoto d’Azevedo.»
Cópia, em dois fragmentos (do mesmo) referido registo, do falecimento da pessoa que primeiro foi sepultada no cemitério de Rande, em Agosto de 1885 (falecida a 19 e naturalmente sepultada no seguinte dia 20 desse mês e ano).
Efectivamente, Felgueiras deve orgulhar-se de ser natural do concelho o antigo ciclista Artur Coelho, atleta famoso que se alcandorou a lugar de destaque no panorama velocipédico nacional na década de cinquenta, com carreira desportiva de alto nível entre 1955 até 1961. Tendo sido Artur Coelho na realidade um Ás do pedal, vencendo mesmo provas importantes ao serviço do F. C. Porto, do qual o referido Felgueirense foi exímio ciclista como grande “sprinter”, especialista nas chegadas em pelotão dos finais de etapas e de circuitos, como até de contra-relógios. Atleta que teve carreira saliente, entre muitas vitórias, por triunfo alcançado na Volta de São Paulo-Brasil, em ter sido camisola amarela várias vezes e vencido diversas etapas na Volta a Portugal e ter ido em dois anos consecutivos à Volta a Espanha em representação da selecção Nacional de ciclismo.
A este personagem dedicamos já, há alguns anos, umas crónicas escritas no Semanário de Felgueiras. Podendo reavivar-se mais sua memória, com algumas dessas e outras recordações… ilustrando o texto com imagens da colecção do autor.
Ora, quem foi, afinal, Artur Coelho?
Artur Coelho, noutra formação do F. C. Porto, ao lado dos grandes monstros sagrados desse tempo (alguns dos quais haviam sido seus ídolos, enquanto entusiasta), quando o Porto detinha hegemonia assinalável no panorama velocipédico nacional.
Logo no ano do seu aparecimento, em 1955, incluiu a equipa do FCP que venceu colectivamente a clássica Porto-Lisboa, na “classificação por equipas” (prova a nível individual vencida também por um atleta das Antas) e, depois, na sua “Volta” de estreia, também em 1955, teve vitória em célebre etapa Tomar-Figueira da 18ª edição da “Volta a Portugal, obtendo Artur Coelho, nessa Volta/55 ainda dois terceiros lugares noutras duas etapas, na segunda entre Porto e Vila do Conde e na sétima entre Viseu e Porto, alcançando por fim, na classificação geral final o 4º lugar (atrás do vencedor Ribeiro da Silva, do Académico, e dos 2º e 3º, respectivamente, Sousa Santos, do Porto, e Alves Barbosa, do Sangalhos), tal qual ainda foi 4º na classificação especial do Prémio da Montanha. Além de se ter sagrado vencedor colectivamente, pois que o conjunto do F. C. Porto venceu na classificação por equipas, como venceu a Taça A Bola. No ano seguinte, alcançou também a quarta posição no Campeonato Nacional de Fundo e, na “Volta” de 1956 foi Artur Coelho o primeiro dono da camisola amarela, mediante vitória no circuito portuense da etapa inicial (na pista do Estádio do Lima), envergando aquele símbolo da liderança logo à partida do Porto. Posição de primeiro classificado que manteve até à 3ª etapa, tendo nos correspondentes percursos, das ligações em que envergonhou o “maiot” amarelo, sido quinto na chegada à meta. E, nessa 19ª edição da Volta, Artur Coelho teve mesmo um activo papel, posicionando-se sempre entre os melhores, tanto aconteceu por duas vezes em que fez o 2º lugar noutras duas etapas, mais um 3º lugar em quatro etapas, foi 4º numa outra e 5º por duas vezes em igual número de etapas (numa das quais de contra-relógio), terminando essa Volta na 9ª posição geral.
Aumentando a pedalada, obteve depois a brilhante vitória no Brasil, em 1957, na clássica chamada “9 de Julho” de São Paulo, a Volta ao Estado de São Paulo, terminada vitoriosamente a 11 de Julho de 1957. Tal como, no mesmo ano, em França, conquistou honroso 2º lugar, a 6 segundos do triunfador, no “Paris-Evreux”. Tendo assim dado nas vistas, no mesmo ano integrou a selecção nacional que participou na Volta a Espanha de 1957. E, nessa época de 1957 foi ainda o triunfador do Circuito dos Campeões, disputado na Figueira da Foz. Depois, em 1958 foi vencedor da Volta ao Porto (prova que então era famosa, e noutros anos mais recentes teve denominação de Grande Prémio do Porto, com edições desde 1926 até 1994, por ora). Ano aquele de 1958 que foi até deveras frutuoso, perante vitórias sucessivas, sendo vencedor do Circuito de Garcia, do Circuito de Grândola e do Grande Prémio Vilar. Como voltou a participar na Volta a Espanha, integrado na selecção portuguesa que alinhou em 1958 na importante prova do calendário internacional. Tal como em 1959, repetiu vitória na seguinte edição anual do Grande Prémio Vilar. Ao passo que, na Volta a Portugal desse ano 1959, somou saborosas vitórias em duas etapas, tendo Artur Coelho triunfado na meta da etapa Estremoz-Castelo Branco e vencido o contra-relógio individual entre Covilhã-Guarda, obtendo ainda por duas vezes o 3º lugar noutras tantas etapas e o 2º posto numa; com a curiosidade de nessa etapa, saída de Pedras Salgadas e chegada a Braga, durante o correspondente percurso com passagem por Felgueiras, Coelho ter “forçado” para se mostrar na terra onde nascera, vila de Felgueiras… e com isso ter ajudado o colega portista Carlos Carvalho a ganhar distância para ser o vencedor dessa mesma Volta/59.
Artur Coelho a chegar primeiro à meta, vitoriado pela multidão assistente, como vencedor de uma etapa da Volta a Portugal…
Mantendo a pedalada ainda em bom ritmo, em 1960 Artur Coelho venceu uma etapa do Grande Prémio Vilar, enquanto na Volta/60 conseguiu ser 4º à segunda etapa, tendo depois servido mais a equipa, ajudando Sousa Cardoso a manter a amarela de primeiro desde a 5ª até à 15ª etapas, chegando ao final esse sorridente ciclista azul e branco, colega de Coelho, como destacado vencedor. Por fim, em final de trajecto, Artur Coelho deu bem um ar de sua graça na Volta a Portugal de 1961, vencendo uma etapa, ao segundo dia de corrida, na etapa disputada em circuito à volta de Espinho, nessa Volta de que foi vencedor final seu colega de equipa Mário Silva.
Além da colaboração referida, durante essas vistosas participações, Artur Coelho teve também sua quota-parte no trabalho de equipa contributivo para outros triunfos individuais de colegas, bem como colectivos do F. C. Porto alcançados nas classificações de equipas nas Voltas de 1955, 58 e 59.
Artur Coelho, numa fisionomia de seus últimos tempos, segundo reportagem inserta no nº de 09-3-2001 do jornal Notícias de Vizela, fazendo referências e transcrições sobre artigo, do autor, anteriormente com lugar no Semanário de Felgueiras em Fevereiro anterior…
Ora, passado tanto tempo, ainda está por acontecer uma devida homenagem de Felgueiras a este seu campeão e internacional de renome, nomeadamente com a atribuição de seu nome a uma rua, ou seja honrando este ilustre felgueirense na toponímia da sua terra-mãe… Ou é que Felgueiras merece ter ciclismo ou então como é?!
Nesta edição pode encontrar e desfrutar:
- Encontro de Tocadores de Concertinas
- Cantares ao Desafio (Domingos Soalheira e Adília de Arouca)
- Trajes Regionais
- Jogo do Pau e outros jogos tradicionais
- Vinho Verde
- Doçaria
- Artesanato
Organização: Câmara Municipal de Felgueiras
Apoio: Rancho Folclórico de Varziela